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PR timorense sugere que próxima presidência da CPLP deve ser brasileira
Contra a intenção do seu próprio Governo de assumir a liderança da comunidade lusófona, Ramos-Horta avisa que Díli não tem recursos e exige respeito pela alternância geográfica.
Por Redação
Publicado em 16/07/2026 06:31
International
@Lusa

Díli, 16 jul 2026 (Lusa) — O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, manifestou publicamente a sua posição de que a liderança da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no biénio 2027–2029 deve ser entregue ao Brasil, contrariando o plano previamente anunciado pelo seu executivo.

A tomada de posição do chefe de Estado colide com as declarações do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que em junho tinha garantido que o país assumiria a próxima presidência rotativa da organização devido à suspensão da Guiné-Bissau após o golpe de Estado no final de 2025. Ramos-Horta, contudo, apela ao bom senso e defende uma distribuição geográfica mais equilibrada: "O Brasil não preside há muitos anos e deveríamos todos acordar e entregar ao Brasil. Mesmo a nível da CPLP, tem de haver algum respeito pela alternância", sublinhou em declarações à Lusa.

Além das questões de equilíbrio institucional, o prémio Nobel da Paz justificou a sua tese com a pesada agenda diplomática que Timor-Leste tem pela frente. Ramos-Horta lembrou que o país está focado na preparação da presidência da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) em 2029. Para o Presidente, acumular os dois dossiês seria incomportável: "Já estamos a trabalhar a todo o vapor (...) não creio que vá sobrar tempo e recursos para assumirmos as responsabilidades da CPLP".

A atribuição da presidência está pendente desde a cimeira de Bissau, em 2025, reunião na qual os líderes lusófonos falharam um consenso devido ao impasse entre as candidaturas do Brasil e da Guiné Equatorial — esta última fortemente apoiada na altura pela Guiné-Bissau. Ramos-Horta propõe agora uma solução de compromisso, sugerindo que a Guiné Equatorial abdique temporariamente em favor do Brasil, assumindo o cargo no mandato seguinte.

Este braço de ferro diplomático e a definição do futuro da liderança da comunidade deverão dominar a agenda do Conselho de Ministros da CPLP, agendado para os dias 18 e 19 de agosto, precisamente na capital timorense, Díli.

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