Maputo, 22 jul 2026 (Lusa) — O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, defendeu esta quarta-feira a descentralização do ensino artístico no país, anunciando o plano de expandir a Escola Nacional de Música (ENM) para as regiões centro e norte. Durante uma visita de trabalho à sede da instituição, em Maputo, o chefe de Estado sublinhou a urgência de dotar os criadores nacionais de competências técnicas, tecnológicas e de gestão.
Para o chefe do Executivo moçambicano, a valorização da cultura exige uma viragem na preparação dos profissionais das artes, cruzando a vocação natural com ferramentas de mercado e de empreendedorismo.
“O talento, por si só, já não basta. É indispensável combinar criatividade com formação técnica, gestão de carreiras, domínio das novas tecnologias, direitos de autor, empreendedorismo nas artes e cultura, marketing cultural e acesso aos mercados nacionais e internacionais”, destacou Daniel Chapo.
De forma a travar a concentração da oferta formativa na capital, o Governo pretende replicar o modelo da ENM noutras províncias estratégicas, acompanhando a dinâmica de outras escolas sob tutela governamental:
Descentralização Regional: Criação de pelo menos duas novas delegações da ENM — uma na Beira para cobrir a zona centro e outra em Nampula para servir o norte do país.
Profissionalização do Setor: Consolidação do papel estratégico da instituição na capacitação técnica e na inserção dos músicos no mercado de trabalho global.
Outra das medidas prioritárias avançadas pelo Presidente moçambicano passa por combater os custos elevados que condicionam o acesso à formação artística. Daniel Chapo apontou a carga tributária e as barreiras alfandegárias como os principais fatores de encarecimento do material musical no país.
Assumindo a marca de um “Governo de reformas”, o Presidente abriu a porta a uma revisão da legislação fiscal e aduaneira para baixar as taxas aplicadas aos instrumentos, facilitando o investimento no setor e tornando a aprendizagem acessível a uma franja mais vasta da população. Fundada experimentalmente em 1983 e oficializada em 1991, a Escola Nacional de Música permanece como a principal referência pública do ensino musical em Moçambique.