Havana, 23 jul 2026 (Lusa) — O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, denunciou esta quarta-feira os “danos extraordinários” provocados pelo bloqueio económico e energético imposto pelos Estados Unidos. A acusação foi feita durante uma reunião em Havana com George Katrougalos, especialista independente do Conselho de Direitos Humanos da ONU (CDH), na qual o líder cubano alertou que o cerco petrolífero de Washington equivale, na prática, a um bloqueio naval que asfixia os direitos fundamentais da população.
A denúncia surge num momento em que a ilha atravessa uma grave crise energética e económica, acentuada pelo pacote de sanções secundárias aplicadas pela administração americana contra empresas estrangeiras que negoceiam com o regime cubano nos setores da energia, finanças e mineração.
“As crescentes ações unilaterais e o enfraquecimento dos mecanismos multilaterais representam uma ameaça para a paz e a estabilidade internacionais. As sanções afetam o gozo de direitos humanos essenciais do povo cubano, entre eles a saúde, a alimentação e o desenvolvimento”, afirmou Miguel Díaz-Canel.
A retórica de Washington intensificou-se esta semana com a publicação de um relatório do Departamento de Estado norte-americano que acusa Havana de albergar instalações militares e de inteligência estrangeiras — alegações que sustentam o decreto de janeiro que declarou Cuba uma "ameaça invulgar". As autoridades cubanas rejeitam categoricamente estas acusações, classificando-as como pretextos para justificar uma eventual ação militar, num contexto em que a Casa Branca tem admitido abertamente o desejo de intervir na ilha.
Apoio da ONU: Díaz-Canel reafirmou o compromisso de Cuba com os direitos humanos perante a comissão internacional, contrariando as críticas de várias ONG que denunciam a existência de mais de 1.200 presos políticos no país.
Ajuda Canalizada: Apesar do braço de ferro diplomático, desembarcou na ilha o primeiro carregamento de uma verba de 100 milhões de dólares em ajuda humanitária financiada por Washington.
Distribuição Neutra: Cerca de 60 milhões de dólares deste pacote estão a ser geridos e distribuídos pela Cáritas a famílias vulneráveis na arquidiocese de Havana, garantindo apoio alimentar e de higiene sem intervenção direta do Governo.