Porto — Uma avaria grave nos sistemas informáticos do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Norte provocou fortes perturbações na prestação de socorro durante a noite do passado domingo. A avaria, que se prolongou por cerca de duas horas — entre as 19h20 e as 21h20 —, deixou pendentes pelo menos 50 pedidos de assistência médica emergente.
A denúncia foi avançada pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH). De acordo com o presidente da estrutura sindical, Rui Lázaro, a paragem do sistema deixou dezenas de profissionais operacionais de mãos atadas durante longos minutos. Como medida de emergência, as equipas viram-se obrigadas a recorrer ao método tradicional de papel e caneta para anotar os dados dos utentes, transmitindo posteriormente a informação de forma manual aos encarregados do acionamento dos meios de transporte e socorro.
Durante o período crítico de indisponibilidade, as chamadas telefónicas excedentes com origem na região Norte foram encaminhadas para as centrais do CODU em Coimbra, Lisboa e Faro, que se mantiveram totalmente operacionais. A coordenação e o envio de meios de emergência para as ocorrências no Norte acabaram por ser temporariamente assegurados a partir de Coimbra.
Embora a ligação informática tenha sido restabelecida por volta das 21h20, os operacionais de serviço mantiveram o atendimento a metade da capacidade habitual por precaução, de forma a evitar uma eventual sobrecarga que provocasse uma nova queda do sistema.
O presidente do STEPH alertou para a gravidade do incidente, lembrando que o CODU do Norte é o centro com maior volume de trabalho e resposta a nível nacional, questionando publicamente a inexistência de uma plataforma informática alternativa ou de backup capaz de entrar em funcionamento imediato nestes cenários.
A falha agora registada junta-se aos alertas deixados recentemente pela Comissão de Trabalhadores do INEM, que já tinha denunciado problemas recorrentes no software OnCall utilizado nas centrais de emergência, avisando para os riscos operacionais inerentes ao mau funcionamento da ferramenta.
Até ao momento, a direção do INEM não prestou declarações ou esclarecimentos sobre o sucedido.
Fonte -Lusa