Madrid, 30 jul 2026 (Lusa) — A crise migratória no enclave espanhol de Ceuta agravou-se substancialmente esta quinta-feira, com uma coluna contínua de pessoas a estender-se ao longo de cinco quilómetros a partir da cidade marroquina de Fnideq em direção à linha de fronteira. A informação, confirmada no local por equipas de reportagem da agência EFE, retrata um fluxo ininterrupto constituído maioritariamente por jovens que chegam a pé, de moto ou em veículos motorizados.
A vaga massiva de entradas irregulares que se sucedeu ao longo do dia — quer por contorno marítimo, quer por transposição direta das vedações perimétricas — sobrecarregou de imediato as infraestruturas de acolhimento locais. O presidente da cidade autónoma, Juan Jesús Vivas, formalizou o pedido de auxílio urgente ao Governo central em Madrid, sugerindo a mobilização de meios militares para restabelecer a ordem.
“Estamos a mobilizar todos os recursos necessários, a trabalhar com as autoridades marroquinas e internacionais e a preparar as medidas necessárias para o regresso à normalidade.”
A crise provocou a paralisia da atividade comercial no centro urbano de Ceuta e desencadeou reuniões de emergência entre os executivos espanhol e marroquino. Ambos os Governos atribuíram o fenómeno à atuação de redes organizadas de tráfico de seres humanos, que terão explorado um acórdão recente do Supremo Tribunal de Espanha sobre procedimentos de devolução na fronteira para incentivar as travessias, estando já em curso um plano conjunto para o repatriamento célere dos cidadãos em situação irregular.