Ceuta, Espanha, 02 ago 2026 (Lusa) – As forças de segurança espanholas calculam que cerca de 73.500 pessoas que se encontravam em situação irregular em Ceuta abandonaram a cidade autónoma desde quinta-feira, ao mesmo tempo que o número confirmado de mortos retirados das águas subiu para 71.
Fontes policiais citadas pela agência EFE esclarecem que o volume de saídas contabilizado inclui não só os migrantes que protagonizaram a vaga maciça de entradas na fronteira com Marrocos nos últimos dias, mas também cidadãos que já permaneciam no enclave — cuja população residente ronda os 83 mil habitantes — e potenciais registos duplicados de entradas e saídas sucessivas durante o fim de semana.
No plano das operações de resgate, as autoridades marítimas e policiais recuperaram até ao momento 71 cadáveres nas imediações do espigão fronteiriço de Tarajal, vítimas de afogamento durante a tentativa de travessia a nado a partir da costa marroquina.
As estimativas oficiais do Governo espanhol e do executivo local apontavam inicialmente para a entrada de 50.000 a 60.000 pessoas no pico da crise. A pronta mobilização de reforços militares, o encerramento temporário do comércio local — que limitou o acesso a bens de primeira necessidade — e o acordo de repatriamento célebre estabelecido entre Madrid e Rabat motivaram o regresso voluntário de dezenas de milhares de migrantes ao território marroquino poucas horas após a chegada.