Ceuta, Espanha, 02 ago 2026 (Lusa) – Centenas a milhares de migrantes que cruzaram a fronteira de Ceuta na vaga de entradas irregulares do final da semana passada continuam no enclave espanhol e recusam categoricamente o regresso a Marrocos, apesar das difíceis condições em que se encontram.
Enquanto a maioria dos cidadãos de nacionalidade marroquina optou pelo regresso voluntário nas horas imediatas ao pico da crise, a permanência no território é agora protagonizada quase exclusivamente por cidadãos oriundos da África Subsaariana e de países em conflito como o Sudão e o Iémen. Aglomerados em praias, áreas florestais e nas imediações do Centro de Acolhimento Temporário de Migrantes (CETI) — estrutura que já se encontra totalmente sobrelotada —, centenas de pessoas pernoitam ao relento, sem acesso a bens essenciais de alimentação e higiene, movidas pelo objetivo de permanecer em solo europeu.
Em resposta ao sucedido, as autoridades espanholas reforçaram a presença militar e policial na cidade e instalaram uma barreira pneumática no mar, ao longo do espigão de El Tarajal, para travar novas travessias a nado. No plano assistencial, os serviços de saúde locais prestaram apoio médico a cerca de 1.150 pessoas, enquanto as equipas de emergência continuam a monitorizar o mar, onde foram já resgatados 71 cadáveres, existindo preparativos logísticos para acolher um número superior de vítimas mortais.
Apesar da forte presença de forças de segurança nas ruas e do cancelamento das festividades locais em honra da Virgem de África, a cidade autónoma começou este domingo a recuperar gradualmente a normalidade funcional, com a reabertura do comércio e do setor da restauração.