O governo dos Estados Unidos endureceu a sua postura contra as fontes de financiamento de Teerão ao anunciar a intenção de aplicar sanções económicas a qualquer nação que continue a adquirir petróleo ao Irão. Embora a administração americana escusa-se a nomear alvos diretos, analistas do setor energético apontam categoricamente para Pequim como o recetador do grosso dessas exportações.As compras chinesas representam atualmente a quase totalidade das vendas externas de crude iraniano, injetando dezenas de milhares de milhões de dólares nos cofres do Estado e no setor militar do país. Contudo, peritos salientam que eventuais restrições severas às trocas comerciais com a China podem desencadear um efeito dominó na economia global, culminando no encarecimento do combustível para o consumidor final em diversos países, incluindo nos próprios EUA.
Em resposta aos alertas de Washington, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China reiterou que a imposição unilateral de coações económicas apenas agrava a instabilidade internacional. Apesar disso, os volumes de transição do petróleo iraniano para refinarias chinesas já registaram alguma redução recente, sustentada pela utilização de reservas estratégicas terrestres.
A monitorização do comércio de crude na região permanece complexa devido à utilização recorrente de "frotas-fantasma" — embarcações que ocultam os seus dados de rastreio para contornar bloqueios. Com o evoluir do cenário geopolítico e as oscilações no fornecimento através do Estreito de Ormuz, o preço dos combustíveis continua sob forte pressão nos mercados internacionais.
Fonte - Lusa