Washington, 04 set 2026 (Lusa) — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, procurou hoje minimizar a dimensão da intervenção militar contra o Irão, classificando a ofensiva que já dura há mais de seis meses como uma "coisa pequena" e um simples "conflito militar" de intensidade intermitente, apesar do impacto económico global e das baixas registadas nas forças armadas.
Em declarações na Casa Branca, o chefe de Estado norte-americano tentou desvalorizar o alcance da campanha militar lançada em fevereiro em parceria com Israel, alinhando com o seu vice-presidente, JD Vance, ao evitar rotular as operações de larga escala como uma guerra aberta. A posição gerou fortes críticas da oposição democrata num momento de grande tensão política interna, a escassos dois meses das eleições intercalares para o Congresso.
Apesar da retórica de desvalorização em Washington, o cenário no terreno conheceu uma nova escalada com o reatamento dos bombardeamentos norte-americanos contra a República Islâmica e as retaliações de Teerão na região do Golfo Pérsico. O impasse militar surge após o colapso do memorando de entendimento alcançado em junho, que previa a reabertura do estratégico Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio naval norte-americano.
Paralelamente às ações militares, a administração Trump iniciou uma ofensiva financeira coordenada pelo Departamento do Tesouro para sufocar a economia iraniana. A estratégia traduziu-se na aplicação de novas sanções a instituições bancárias internacionais acusadas de financiar o regime de Teerão, nomeadamente na Turquia e nos Emirados Árabes Unidos.
Em resposta aos movimentos de Washington, as forças armadas do Irão instaram o Governo norte-americano a "aceitar os factos" e a retirar em definitivo as suas tropas do Médio Oriente. Teerão mantém a exigência do cumprimento integral dos acordos de cessar-fogo anteriores como condição indispensável para a estabilização do tráfego marítimo e dos preços dos hidrocarbonetos a nível global.