Valpaços, Vila Real, 05 set 2026 (Lusa) — Os trabalhos de vindima em Trás-os-Montes arrancaram este ano com sentimentos profundamente antagónicos: se por um lado as perspetivas gerais são de colheitas abundantes e de qualidade excecional, por outro, o concelho de Valpaços enfrenta o amargo rescaldo de um incêndio devastador que consumiu 304 hectares de vinha e vastas áreas de olival e amendoal.
A vaga de fogos que atingiu o território entre o final de julho e o início de agosto afetou severamente a freguesia de Sonim e Barreiros, onde cerca de 90% da área agrícola ficou reduzida a cinzas. Produtores locais viram ser destruídas videiras centenárias e perderam grande parte da colheita do ano, dependendo agora dos stocks acumulados em adega, da compra de uva a terceiros e dos apoios estatais para manter os negócios ativos e honrar compromissos comerciais.
Em contraste com as áreas fustigadas pelas chamas, o balanço agrícola no resto da região vitivinícola transmontana é altamente positivo. O Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) prevê um crescimento de 15% na produção regional — prevendo atingir cerca de 94 mil hectolitros —, favorecido por um ciclo climático equilibrado que garantiu reservas hídricas e um estado sanitário exemplar das uvas.
Com o arranque antecipado da apanha em cerca de duas semanas, empresas produtoras em localidades como Rio Torto registam aumentos significativos na quantidade colhida. Para contornar a escassez de mão de obra e reforçar a competitividade do vinho transmontano no mercado global, os maiores produtores da região continuam a apostar na modernização e na mecanização da colheita para as gamas de entrada, reservando o corte manual exclusivamente para os lotes premium.