Lisboa, 24 set 2026 (Lusa) — O Conselho Metropolitano de Lisboa aprovou esta quinta-feira uma tomada de posição unânime contra o atual modelo do sistema de depósito e reembolso de embalagens Volta. Os 18 municípios que integram a Área Metropolitana de Lisboa (AML) consideram que o mecanismo "não está a funcionar" e está a provocar impactos sociais e ambientais sérios na via pública.
Em comunicado divulgado após a reunião dos autarcas das duas margens do Tejo, a AML sublinha que, apesar de partilhar dos objetivos ecológicos de reciclagem definidos a nível europeu, a aplicação prática do sistema nos primeiros meses tem gerado transtornos diários. Entre as principais preocupações destacam-se a degradação da salubridade urbana — com contentores de lixo frequentemente remexidos e despeitados nas ruas para a recolha de garrafas —, o desgaste dos equipamentos municipais e os elevados encargos operacionais suportados pelas câmaras.
O presidente do Conselho Metropolitano e da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, defendeu a necessidade premente de redesenhar o mecanismo com quem está no terreno. O autarca, que já tinha solicitado sem sucesso o cancelamento da medida à ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, reiterou que o sistema precisa de ser "mais funcional, que salvaguarde o espaço público e que seja economicamente mais justo e socialmente mais responsável".
Em vigor desde abril, o sistema Volta atribui um reembolso de 10 cêntimos por cada embalagem de plástico, metal ou alumínio devolvida em pontos próprios. Os municípios defendem agora uma avaliação intercalar urgente que envolva o Executivo, os operadores económicos e as autarquias, de forma a reajustar as regras e defender os interesses das populações locais junto das instâncias europeias.