Pelo décimo primeiro ano consecutivo, a água da torneira em Portugal continental voltou a registar níveis de segurança superiores a 98%. De acordo com o mais recente Relatório Anual dos Serviços de Águas e Resíduos (RASARP), divulgado pela Entidade Reguladora do Setor das Águas e dos Resíduos (ERSAR) e referente aos dados do último ano, o indicador situou-se nos 98,84%, demonstrando a estabilidade da qualidade do abastecimento público no país.Este desempenho resulta da conjugação do plano de controlo regulamentar: foram cumpridas 99,91% das análises obrigatórias, com uma taxa de cumprimento dos valores paramétricos de 98,93%.
Apesar do balanço francamente positivo, os dados refletem uma ligeira discrepância entre as duas fases do serviço de abastecimento:
Água em alta (captação, tratamento e transporte): apresentou uma taxa de segurança de 99,69%, com apenas 0,31% das análises em incumprimento (229 num universo de 74.473).
Água em baixa (distribuição aos consumidores locais): situou-se nos 98,84%, registando 4.235 análises fora dos parâmetros em cerca de 392 mil realizadas.
Segundo Susana Rodrigues, diretora do departamento de qualidade da ERSAR, esta diferença explica-se pela maior profissionalização e dimensão dos sistemas em alta. Por outro lado, a gestão na rede em baixa — muitas vezes dividida por múltiplos pequenos sistemas e gerida por freguesias ou municípios no interior — continua a ser a origem de falhas pontuais.
"A mensagem essencial é a de que não há água insegura", sublinhou Susana Rodrigues durante a apresentação dos dados, frisando contudo que a ligação das redes municipais aos sistemas integrados em alta é o caminho recomendado para garantir maior estabilidade aos consumidores.
Distribuição geográfica e sobressaltos pontuais
A nível nacional, 81% dos concelhos (225 municípios) mantêm o indicador de água segura em valores iguais ou superiores a 99%, dos quais 42 registaram uma taxa perfeita de 100%. Contudo, apenas dois municípios no país ficaram abaixo do patamar dos 95%:
Marco de Canaveses: O valor inferior deveu-se à inclusão de análises em fontanários públicos — locais que, segundo a ERSAR, não devem ser usados pela população dado que coexistem com a rede de água pública, essa sim de "excelente qualidade".
Fornos de Algodres: A pontuação esteve relacionada apenas com uma questão formal e administrativa, motivada pelo atraso na certificação do técnico responsável pelas análises.
A grande maioria das falhas registadas ao longo do ano diz respeito a flutuações de pH (31%) — decorrentes das características naturais da água em determinadas zonas — e a parâmetros microbiológicos (38%), impulsionados por falhas na desinfeção em sistemas de menor dimensão.Atualmente, apenas 62 concelhos em Portugal possuem sistemas totalmente verticalizados (gestão conjunta da alta e da baixa). Além disso, o relatório aponta para a existência de 180 fontanários como única fonte de abastecimento para cerca de 8,8 mil residentes. A ERSAR e a sua presidente, Vera Eiró, reiteram que a progressiva integração dos municípios em entidades conjuntas e a redução dos pontos isolados é vital para continuar a reforçar o indicador de segurança no futuro.
Fonte - Sic Notícias