Moscovo, 01 out 2026 (Lusa) — O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, lançou esta quinta-feira uma severa advertência aos países membros da NATO, garantindo que o Kremlin não hesitará em empregar "todo o seu arsenal" — incluindo meios nucleares e hipersónicos — caso o enclave estratégico de Kaliningrado ou qualquer outra parcela do território russo seja alvo de agressão militar.
A posição foi assumida pelo líder russo durante a sua participação no fórum anual do Clube de Discussão Valdai, em Moscovo. Confrontado com a crescente militarização na região do Mar Báltico, Putin assegurou que uma investida contra a soberania do país colocará de forma "inevitável e imediata" o recurso a todo o poder de fogo estratégico na agenda militar do Kremlin. O aviso surge na sequência de uma nota formal remetida pela diplomacia russa à NATO, em Bruxelas, classificando qualquer eventual bloqueio aéreo ou marítimo ao território de Kaliningrado como um casus belli.
Rejeitando as acusações de chantagem militar movidas pela Aliança Atlântica, o chefe de Estado russo sustentou que a posição de Moscovo constitui uma resposta direta aos preparativos e exercícios que as forças ocidentais têm vindo a desenrolar junto às suas fronteiras ocidentais. "Nós não ameaçamos ninguém, não temos intenção de atacar nem em 2029, nem em 2030, nem em 2050. Mas se formos alvo de uma agressão, temos de responder", declarou Putin, reconhecendo a superioridade económica e demográfica da NATO, mas sublinhando a vantagem competitiva da Rússia na tecnologia de mísseis hipersónicos.
A escalada verbal entre Moscovo e a NATO ocorre num momento de elevada fricção no Báltico, numa zona sensível onde o enclave geográfico de Kaliningrado — incrustado entre a Polónia e a Lituânia — tem sido palco de incidentes recentes, designadamente a violação do espaço aéreo polaco por um helicóptero militar russo na última semana.