Nações Unidas, Nova Iorque, 02 out 2026 (Lusa) — O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, reiterou esta sexta-feira a sua oposição inequívoca à pena capital, na sequência do caso chocante de Christa Pike, uma reclusa norte-americana que se encontra em estado crítico num hospital do Tennessee após duas tentativas falhadas de execução por injeção letal.
Em conferência de imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque, o porta-voz do secretário-geral, Stéphane Dujarric, lembrou a posição de princípios mantida por António Guterres e pela organização. "A nossa posição é que a pena de morte não deveria existir. Os Estados não devem usar a pena de morte. Temos sido muito claros sobre isso, seja em qualquer país onde ainda exista", afirmou o porta-voz, sublinhando que o Chefe das Nações Unidas se "posiciona firmemente contra" esta prática.
Christa Pike, de 50 anos, foi condenada à pena máxima em 1996 por um homicídio cometido quando tinha 18 anos. Na passada quarta-feira, a reclusa sobreviveu a duas doses do protocolo de injeção letal, num processo traumático de mais de uma hora em que foram utilizadas pelo menos sete agulhas. O advogado da defesa, Randy Spivey, classificou o procedimento de "cruel e tortuoso", revelando que a reclusa já havia solicitado a alteração do método de execução devido a problemas venosos graves.
Perante a gravidade do incidente, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão imediata de todas as execuções previstas para este ano e ordenou uma investigação ao sucedido. Em simultâneo, o Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, apelou diretamente às autoridades estaduais para que renunciem a qualquer nova tentativa de tirar a vida a Christa Pike, insistindo na necessidade urgente da abolição global da pena capital.