Lisboa, 03 out 2026 (Lusa) — O serviço de transporte aéreo de emergência médica em Portugal enfrenta um sério risco de sustentabilidade devido à forte subida dos custos do combustível de aviação, revelou este sábado o presidente executivo da Gul Med Aviation Services. A empresa, responsável pela operação das quatro aeronaves ao serviço do INEM, requereu formalmente ao Governo a integração nos programas de apoio público atribuídos a setores estratégicos do socorro.
Em declarações à Lusa, o líder da operadora, Simon J. Camilleri, salientou que a empresa se encontra a absorver agravamentos financeiros imprevisíveis à data da assinatura do contrato. Desde o arrancadas operações em julho de 2025, o preço do combustível Jet A1 disparou cerca de 80% — passando de 1,04 euros por litro no concurso público para os atuais 1,90 euros —, ao mesmo tempo que o volume de voos registou uma subida acentuada de 35% ao mês em relação ao período homólogo.
O aumento dos custos operacionais é potenciado pela intensificação dos voos noturnos, que saltaram de 35 missões em 2025 para 232 até ao final de agosto do corrente ano, sujeitos a taxas de abastecimento extraordinárias. Entre janeiro e agosto de 2026, as quatro aeronaves contabilizaram 1.285 horas de voo e 980 missões com o transporte de 635 doentes, sendo a base de Évora a mais solicitada do dispositivo nacional.
Apesar de operar o contrato de 77,5 milhões de euros adjudicado em concurso público, o contrato não prevê cláusulas de revisão automática de preços perante oscilações do mercado energético. A empresa reitera que continuará a assegurar o socorro à população sem reduções na atividade, mas apela à rápida intervenção do Executivo para compensar a alteração imprevisível das circunstâncias financeiras.