Vila Franca de Xira, Lisboa, 03 out 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, lançou fortes críticas à posição assumida pela direção do PS relativamente à viabilização na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027). Em declarações prestadas à agência Lusa durante uma visita à Feira de Outubro, em Vila Franca de Xira, o líder comunista defendeu que a garantia dada pelos socialistas permite ao Chega manter a sua postura de "demagogia e hipocrisia" sem ter de assumir o suporte formal ao executivo PSD/CDS.
"Foi a comprovação daquilo que nós temos dito: Quando o PS falha, o Chega está lá para dar a mão; quando o Chega faz birra, o PS está lá para dar suporte ao Governo", disparou Paulo Raimundo. Para o líder do PCP, a disponibilidade demonstrada pelo líder socialista, José Luís Carneiro, para viabilizar o documento orçamental acabou por coincidir com o acordo paralelo estabelecido na especialidade entre o PSD e o Chega para alterar o regime do arrendamento urbano, acelerando os despejos e a subida das rendas.
Na leitura do dirigente comunista, caso o PS não se tivesse chegado à frente, "o Chega ia dar as cambalhotas todas e arranjava justificações para viabilizar o Orçamento". Ao tomar esta opção, acusou, "o PS está a contribuir para que a máscara se mantenha na cara do Chega, quando aquilo que é preciso é desmascarar o Chega".
À margem do debate orçamental, Paulo Raimundo aproveitou a ação de contacto com a população para defender a aprovação da iniciativa legislativa do PCP que prevê um aumento intercalar de 50 euros para todas as reformas, com efeitos retroativos a julho. Rejeitando o "bónus" pontual anunciado pelo Governo para o final do ano como insuficiente perante a escalada dos preços dos alimentos, combustíveis e habitação, o líder do PCP desafiou as restantes forças partidárias no Parlamento a viabilizarem a proposta: "As questões estão aí todos os dias, e até chegar dezembro ainda falta outubro e novembro – e a vida continua depois do Natal".