Paula Teles defende um Porto mais humanizado, com mais pessoas nas ruas e praças ocupadas pela população. A fundadora e presidente do Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade considera que a aposta nos transportes públicos e na valorização do espaço público é essencial para tornar a cidade mais sustentável e melhorar a qualidade de vida.
Numa entrevista ao Porto., integrada no dossiê sobre mobilidade da nova revista municipal PRAÇA, a especialista manifestou concordância com a orientação que privilegia os transportes coletivos e a devolução de espaço urbano às pessoas.
Segundo Paula Teles, numa cidade consolidada como o Porto, onde o espaço disponível é limitado, os transportes públicos devem assumir prioridade, permitindo deslocar mais pessoas e reduzir a dependência do automóvel.
Entre os desafios para acelerar esta transformação, a especialista destaca a necessidade de criar alternativas confortáveis ao carro. Para isso, considera fundamental garantir passeios contínuos, acessíveis e seguros, que facilitem as deslocações a pé até às paragens e estações.
Paula Teles defende também melhores condições nos pontos de ligação entre diferentes meios de transporte, incluindo espaços de espera adequados, bancos, proteção contra as condições meteorológicas e acessibilidade. Nos interfaces de maior dimensão, sublinha a importância de tornar as mudanças entre transportes simples e cómodas.
A pensar no Porto da próxima década, a especialista ambiciona uma cidade com mais espaços verdes, sombra e condições para a circulação pedonal e ciclável. Na sua visão, as praças e ruas devem convidar pessoas de todas as idades a permanecer, conviver e usufruir do espaço público.
A redução da dependência do automóvel deverá ser acompanhada por uma rede de transportes públicos de qualidade e por parques de estacionamento dissuasores em locais estratégicos da Área Metropolitana do Porto. Paula Teles considera ainda que poderá fazer sentido recuperar os elétricos em troços da cidade onde tal seja possível, em complemento à expansão da rede de metro.
A descarbonização e a humanização do espaço urbano são, na perspetiva da especialista, fundamentais para construir uma cidade mais saudável e preparada para os desafios ambientais, com maior conforto e qualidade de vida para quem nela vive e circula.