Madrid, 05 out 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou esta segunda-feira a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições legislativas antecipadas para o próximo dia 29 de novembro. A decisão do líder do PSOE antecipa em quase um ano o fim da atual legislatura — prevista terminar em julho de 2027 — e surge no rescaldo de uma profunda crise política e social provocada pela crise do imobiliário em Espanha.
A gota de água deu-se na passada sexta-feira, quando o Congresso dos Deputados chumbou dois decretos-lei do executivo destinados a conter os preços do imobiliário e os despejos. A derrota parlamentar coincidiu com mais de uma semana de manifestações diárias de grande dimensão nas ruas de Madrid e de várias cidades espanholas, onde milhares de cidadãos exigiam soluções urgentes para a impossibilidade de acesso à habitação.
Numa declaração ao país emitida a partir do Palácio da Moncloa, Pedro Sánchez justificou a ida às urnas como um passo inevitável para desbloquear a governação e reforçar o combate às desigualdades. "Para fazer em profundidade as reformas pendentes, de que precisamos para reduzir os níveis de desigualdade, temos de nos mobilizar e temos que conseguir que o parlamento nos dote de uma maioria muito mais ampla, progressista, para dobrar as elites e conquistar novos direitos e continuar a transformar Espanha", defendeu o chefe do Governo socialista.
Apesar de destacar que Espanha se mantém como "a economia que mais cresce e cria emprego na União Europeia", o governante — no poder desde 2018 — admitiu que a fasquia social exige um mandato renovado. Sánchez revelou que já informou o Rei Felipe VI da decisão e que a dissolução formal do Parlamento será aprovada hoje mesmo num Conselho de Ministros extraordinário.