Lisboa, 05 out 2026 (Lusa) — O Chega teceu duras críticas esta segunda-feira à intervenção do Presidente da República, António José Seguro, nas comemorações solenes do 116.º aniversário da Implantação da República, na Praça do Município, em Lisboa. O partido liderado por André Ventura classificou a mensagem presidencial de "mais do mesmo", acusando o chefe de Estado de promover o alinhamento entre o PS e o PSD enquanto lança "recados" velados às forças de direita conservadora.
"O discurso acabou com os recados do costume, falar-se sobre movimentos ou partidos mais extremistas. No fundo é mais do mesmo, porque quando falamos em unir os partidos com o objetivo do bem da população, acabamos a falar sempre dos mesmos dois partidos", declarou o deputado Rui Paulo Sousa aos jornalistas no final da cerimónia oficial.
O parlamentar do Chega lamentou que a aproximação entre o Governo PSD/CDS-PP e o Partido Socialista para a viabilização do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) isole a terceira maior força política do país. Segundo Rui Paulo Sousa, seria expectável que os apelos à estabilidade nacional englobassem os três principais partidos do arco parlamentar, e não apenas o bipartidarismo tradicional.
"Somos sempre afastados quando é a altura da decisão, porque quando falamos em tentar medidas alternativas, medidas que fogem do habitual dos últimos 50 anos, estamos a falar do Chega", argumentou o dirigente.
Lembrando que a sua bancada tentou, em diversas instâncias, alcançar pontes de entendimento com o atual executivo social-democrata, o deputado concluiu que o PSD optou por reeditadas alianças ao centro: "O facto é que isso nunca acontece. Quando chegou a hora da verdade, o Governo voltou-se para o PS".