Lisboa, 09 out 2026 (Lusa) — O presidente do Chega, André Ventura, dirigiu esta sexta-feira à noite uma mensagem contundente aos quadros e dirigentes do partido, exigindo que a próxima Convenção Nacional — agendada para 20, 21 e 22 de novembro — sirva como demonstração inequívoca de maturidade governativa e de coesão interna.
Na abertura do Conselho Nacional, realizado num hotel em Lisboa para formalizar o agendamento da reunião magna e a eleição direta do presidente para 31 de outubro, André Ventura confirmou a sua recandidatura ao cargo que ocupa há sete anos. Perante as clivagens emergentes após as recentes eleições distritais, o líder apelou à superação de ambiguidades num partido que atingiu a fasquia dos 100 mil militantes: "Se queremos ganhar o país, antes temos que mostrar que temos um partido unido e pronto para governar."
Ao longo de uma intervenção de cerca de 45 minutos, o líder da oposição lançou avisos diretos sobre o risco de autofagia política, sustentando que "o tempo da confiança cega e das cartas em branco já passou" e que o país estará atento ao comportamento dos seus dirigentes. "Perderemos se nos focarmos dentro de nós próprios, perderemos se passarmos a olhar para dentro durante três dias (...). Em muitos anos, provavelmente, não voltaremos a ter a mesma oportunidade", alertou.
Garantindo querer rebater a tese de que o Chega é uma força centrada "num homem só", Ventura aproveitou ainda o palco para criticar o anunciado entendimento entre o PS e o Governo para a viabilização do Orçamento do Estado para 2027. O dirigente reafirmou o ADN "disruptivo" da sua candidatura contra o sistema partidário tradicional dos últimos 50 anos, prometendo combater o "aumento brutal" do custo de vida que penaliza as famílias portuguesas.