Vila Franca de Xira, 09 out 2026 (Lusa) — O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, manifestou esta sexta-feira fortes reservas relativamente aos montantes inscritos na proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) destinados ao financiamento dos projetos remanescentes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e à reparação dos estragos causados pelas intempéries.
À margem de uma visita à Feira de Outubro, em Vila Franca de Xira, o líder do maior partido da oposição garantiu uma análise exaustiva ao documento orçamental para aferir se os compromissos exigidos pelo PS foram devidamente salvaguardados. "O que vamos verificar é se os recursos financeiros previstos são suficientes para realizar esses investimentos. Se não forem suficientes em sede de Orçamento do Estado, queremos saber quais são as outras fontes de financiamento", alertou José Luís Carneiro, contestando o otimismo do primeiro-ministro, Luís Montenegro, que horas antes garantira no Parlamento a execução plena desses planos.
Apesar de reiterar a responsabilidade institucional do PS para evitar uma crise política, o dirigente socialista vincou que "este não é o orçamento do Partido Socialista" e lançou duras acusações à gestão do atual executivo social-democrata perante o aumento do custo de vida. "Temos infelizmente um Governo incompetente e muito insensível aos problemas das pessoas. O Governo fala como se nada se estivesse a passar", disparou.
O líder da oposição dedicou ainda críticas contundentes à política de habitação do Governo, apelidando as alterações ao regime de arrendamento — viabilizadas pela AD, IL e Chega — de "uma ofensa grave aos mais jovens". Apontando um aumento superior a 28% nos custos com habitação nos últimos dois anos e salientando que mais de 18% dos jovens vivem em casas partilhadas, Carneiro avisou que o alheamento do executivo pode potenciar um cenário de crescente crispação e protesto social no país.