Adis Abeba, 10 out 2026 (Lusa) — O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, lançou este sábado um apelo veemente para a interrupção imediata dos confrontos armados entre as forças governamentais da Etiópia e os rebeldes da região do Tigrai, alertando para o perigo iminente de internacionalização do conflito no Corno de África.
Em comunicado divulgado pelo escritório da ONU em Adis Abeba através do seu porta-voz, Stéphane Dujarric, o responsável máximo das Nações Unidas expressou "profunda preocupação" com a vaga de hostilidades no norte do país e urgiu as partes a retomarem o canal de diálogo enquadrado pelo Acordo de Pretória — o entendimento que em 2022 pôs termo a dois anos de guerra devastadora na região, responsável por cerca de 600 mil vítimas mortais.
António Guterres direcionou também avisos claros à geopolítica regional, na sequência de relatos que apontam para a presença de contingentes militares da Eritreia em solo etíope. Evocando a Carta das Nações Unidas, o antigo primeiro-ministro português recordou o princípio basilar da não-ingerência e da salvaguarda da integridade territorial, exortando as potências internacionais com influência na região a atuarem ativamente no abrandamento da escalada militar.
O braço de ferro intensificou-se após o Governo de Adis Abeba ter exigido a "retirada imediata" das tropas de Asmara, acusando a vizinha Eritreia de prestar suporte logístico e financeiro aos rebeldes da Frente Popular de Libertação do Tigrai (FPLT). O clima de crispação — amplificado pelo corte de relações diplomáticas a 01 de outubro e pela ambição etíope de restabelecer acesso direto ao mar Vermelho — reaviva os fantasmas de uma conflagração em larga escala no Corno de África.