Fafe, Braga, 16 out 2026 (Lusa) — O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, afirmou hoje compreender os protestos e a revolta popular em torno da crise no setor da habitação, mas fez um apelo para que as manifestações decorram dentro da legalidade democrática, garantindo a ordem e a segurança públicas.
Em declarações prestadas em Fafe antes de intervir nas II Conferências locais, o líder socialista abordou a tensão social que se faz sentir após os incidentes no Porto, onde uma ação de protesto acabou numa carga policial com cerca de quatro dezenas de feridos. Para Carneiro, “é preciso compatibilizar o direito e a ordem pública com o direito à manifestação”, vincando a necessidade de ir às verdadeiras causas da indignação, que assentam na escassez e no preço das casas.
O líder da oposição direcionou duras críticas ao Governo da AD e aos partidos que apoiaram a alteração legislativa no setor, designadamente o Chega e a Iniciativa Liberal. Segundo o líder do PS, a nova lei das rendas é “incompreensível” por dificultar a autonomia e a emancipação dos jovens e instalar o receio de despejo entre os idosos.
Como resposta estrutural, José Luís Carneiro defendeu a urgente implementação de um Serviço Nacional de Habitação para colmatar a necessidade de 380 mil habitações no país. Este modelo assentaria em três pilares fundamentais: reformulação da política de solos, incentivos fiscais e um plano nacional de construção de habitação acessível em cooperação com autarquias, cooperativas e associações locais.
O líder socialista sublinhou ainda a gravidade dos dados económicos mais recentes, recordando que a habitação encareceu 28% nos últimos dois anos em Portugal e criticando a política de “renda moderada” promovida pelo Executivo, que considerou ter inflacionado os custos de arrendamento em 34%.