Lisboa e Porto, 25 out 2026 (Lusa) — A intervenção da Polícia de Segurança Pública realizada na madrugada deste domingo para retirar as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, culminou na detenção de 31 pessoas por desobediência e na remoção de 171 tendas, gerando contabilidade divergente quanto ao número de feridos.
Segundo o comunicado oficial da PSP, a operação registou onze feridos, entre os quais três agentes da autoridade — um dos quais mordido por um canídeo na capital —, justificando o uso da força com a recusa dos manifestantes em desocupar voluntariamente a via pública e a necessidade de assegurar a legalidade. Em contrapartida, a plataforma «Casa Para Viver» e a organização dos protestos repudiaram a atuação das forças de segurança, acusando-as do uso desproporcionado de bastonadas, cães e projéteis de borracha, contabilizando cerca de 60 manifestantes atingidos e mais de duas dezenas de assistidos no Hospital de São José.
Das detenções efetuadas por desobediência às ordens de desmobilização, 25 ocorreram em Lisboa e seis na Invicta, estando os cidadãos notificados para comparência perante as autoridades judiciárias na segunda-feira. A força policial confirmou ainda a apreensão de pirotecnia, tinta e gás pimenta no Porto, reiterando que, embora garanta o direito constitucional de manifestação, a ocupação prolongada do espaço urbano sem licenciamento violava os limites legais.