A Rússia acusou esta sexta-feira a Ucrânia de tentar comprometer as negociações para pôr fim ao conflito, afirmando que a versão revista do plano de paz apresentada por Kiev diverge de forma significativa do texto discutido anteriormente com os Estados Unidos.
Em declarações à televisão russa, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Ryabkov, afirmou que o novo documento é “radicalmente diferente” das propostas desenvolvidas nas últimas semanas e advertiu que, nestas condições, “será simplesmente impossível chegar a um acordo final”.
Ryabkov acusou ainda Kiev e os seus aliados, em particular alguns países da União Europeia, de intensificarem esforços para bloquear uma solução negociada. Segundo o governante, qualquer entendimento depende da vontade política das partes envolvidas e do respeito pela estrutura negocial acordada anteriormente entre os presidentes Vladimir Putin e Donald Trump, num encontro realizado no Alasca em agosto passado.
A nova versão do plano norte-americano, apresentada esta semana pelo Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, reduz de 28 para 20 pontos a proposta inicial e prevê o congelamento das linhas da frente, sem uma resolução imediata das disputas territoriais. O texto também elimina duas exigências centrais de Moscovo: a retirada das forças ucranianas do Donbass e um compromisso formal de não adesão da Ucrânia à NATO.
Do lado ucraniano, Zelensky anunciou que poderá reunir-se no domingo, na Florida, com Donald Trump, para discutir garantias de segurança no âmbito do plano de paz. O encontro surge após contactos considerados positivos com enviados norte-americanos.
Apesar de Moscovo reconhecer progressos lentos nas conversações com Washington, o Kremlin reafirmou que, até ao momento, não existe disponibilidade para retirar tropas das zonas ocupadas.
Fonte cnn portugal