Ucrânia exige acordo de paz assinado a quatro para garantir envolvimento europeu
A Ucrânia quer evitar ficar dependente de decisões tomadas à margem de Kiev e defende que um eventual acordo de paz com a Rússia só será válido se envolver quatro partes distintas: Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e Europa. A posição foi reiterada pelo presidente Volodymyr Zelensky, após uma reunião nos Estados Unidos que, apesar de muito aguardada, terminou sem avanços concretos.
Ainda assim, Zelensky mostrou-se confiante de que a paz é possível, mesmo reconhecendo que persistem divergências significativas entre as partes. Segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, faltará resolver cerca de 10% do processo negocial, precisamente os pontos mais sensíveis, com a ambição de colocar um fim à guerra no espaço de semanas.
Trump garantiu apoio em matéria de segurança à Ucrânia, mas não nos moldes desejados por Kiev. O próprio Zelensky confirmou que existe acordo total quanto à necessidade de garantias de segurança, embora a duração dessas garantias tenha ficado aquém do pedido ucraniano. Kiev pretendia compromissos por um período de 50 anos, mas as conversações realizadas em Mar-a-Lago resultaram numa proposta de apenas 15 anos.
Além da duração, permanece por definir o conteúdo concreto dessas garantias, considerado um ponto central para impedir que a Rússia volte a preparar uma nova invasão após um eventual acordo de paz.
Só depois de clarificados esses aspetos será possível avançar para uma proposta final e, eventualmente, para um encontro direto entre Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin. O presidente ucraniano deixou claro que apenas aceitará sentar-se à mesma mesa com o líder russo depois de Estados Unidos e líderes europeus chegarem a um entendimento comum.
Zelensky reforçou ainda que o acordo de paz deve ser assinado por quatro partes, garantindo assim o envolvimento formal da Europa. A estratégia de Kiev visa proteger-se das oscilações da política norte-americana, associadas às posições variáveis de Donald Trump, apostando numa Europa que tem demonstrado maior consistência no apoio à Ucrânia. França, Reino Unido e Alemanha são vistos como parceiros essenciais para assegurar a estabilidade de um futuro acordo.
FonteCNNportugal Foto: Jonathan Ernst / Reuter