A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) exige esclarecimentos urgentes sobre a passagem da unidade para a gestão da Misericórdia, denunciando a total ausência de garantias para profissionais e doentes.O processo de transferência do Hospital de Santo Tirso (e também o de São João da Madeira) do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para a gestão das respetivas Misericórdias está sob fogo cruzado. Em comunicado, a FNAM manifestou a sua "profunda preocupação" com o que classifica como um processo opaco, conduzido sem a devida transparência pública.
As principais dúvidas da Federação
A estrutura sindical, através do Sindicato dos Médicos do Norte, aponta o dedo ao Ministério da Saúde e às administrações das Unidades Locais de Saúde (ULS) do Médio Ave e de Entre Douro e Vouga, alegando que não foram fornecidos detalhes cruciais sobre:
Direitos Laborais: Qual será o vínculo e a estabilidade dos médicos após a transição?
Modelo de Cuidados: Que serviços serão mantidos e como será garantido o acesso dos utentes?
Calendarização: Quais os prazos e quem são os decisores efetivos deste processo?
Uma "decisão política" que fragiliza o Estado
Para a FNAM, não estamos perante uma necessidade técnica, mas sim uma "opção política" que retira responsabilidade ao Estado. A federação estranha que esta transferência ocorra precisamente após estas unidades terem recebido investimento público em obras de modernização e reabilitação.
"Normal é defender o SNS e investir nos hospitais públicos, e não optar pelo improviso", defende o sindicato, rejeitando a ideia de que este seja um procedimento administrativo comum.
Exigência de respostas imediatas
Perante o cenário de incerteza, os representantes dos médicos já enviaram um pedido de esclarecimento formal e por escrito à ministra Ana Paula Martins. A FNAM exige que o Governo apresente os fundamentos legais desta mudança e que assegure, de forma inequívoca, que a qualidade assistencial às populações de Santo Tirso não será comprometida.
FontejornaldoaveFotografia: ULS Tâmega e Sousa