Um guindaste desabou sobre um comboio de passageiros num projeto ferroviário de alta velocidade no Noroeste da Tailândia esta quarta-feira, provocando o descarrilamento e deixando pelo menos 28 mortos e 64 feridos, informou o Ministério da Saúde. Sete das vítimas encontram-se em estado grave.
O acidente ocorreu na província de Nakhon Ratchasima, quando o comboio seguia de Banguecoque para Ubon Ratchathani, num trecho de construção de uma linha que ligará a Tailândia à China pelo Laos até 2028, no âmbito da iniciativa chinesa “Uma Faixa, Uma Rota”. As imagens captadas no local mostram a estrutura do guindaste apoiada em pilares de betão e fumo a subir dos vagões destruídos.
Testemunhas relataram que ouviram um forte estrondo seguido de explosões, com o guindaste a atingir o meio do segundo vagão, partindo-o ao meio. Equipes de resgate trabalharam para retirar passageiros dos vagões inclinados, enfrentando também uma breve interrupção devido a uma fuga química.
As autoridades responsabilizam a empresa tailandesa Italian-Thai Development, responsável pelo troço da linha onde ocorreu o acidente. Segundo consultores do projeto, a companhia já tinha antecedentes em acidentes similares e esteve envolvida em casos anteriores que resultaram em dezenas de mortos, incluindo o colapso de um arranha-céus em Banguecoque durante um terramoto em 2023.
O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, declarou que é necessário apurar responsabilidades e rever a legislação para punir empresas reincidentes em acidentes graves. A diplomacia chinesa afirmou que Pequim acompanha o caso de perto, garantindo segurança no projeto e expressando condolências às vítimas.
Com cerca de cinco mil quilómetros de caminhos de ferro, a Tailândia aposta agora na construção desta linha de alta velocidade de 600 km, que permitirá que comboios fabricados na China atinjam até 250 km/h, ligando Banguecoque a Nong Khai, na fronteira com o Laos. No entanto, a história de acidentes fatais e a fiscalização insuficiente da construção civil levantam sérias preocupações sobre a segurança do projeto.
FonteJNfotoAPState Railway of Thailand