O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a promover a criação de um novo Conselho de Paz internacional que poderá concorrer diretamente com as Nações Unidas, exigindo um pagamento de mil milhões de dólares para garantir um lugar permanente, segundo documentos a que a agência France-Presse teve acesso.
A iniciativa surge no contexto do plano apoiado por Washington para pôr fim à guerra na Faixa de Gaza, mas o projeto de carta fundadora revela uma ambição muito mais vasta, apontando para a criação de uma estrutura global alternativa ao atual sistema internacional liderado pela ONU.
O documento, com oito páginas, define o Conselho de Paz como uma organização destinada a promover a estabilidade, restaurar governações consideradas legítimas e assegurar uma paz duradoura em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos. Ao longo do texto, são feitas críticas diretas às instituições internacionais existentes, acusadas de ineficácia, numa alusão clara às Nações Unidas.
Donald Trump será o primeiro presidente do novo organismo, com poderes amplos e concentrados. Caber-lhe-á convidar chefes de Estado e de governo para integrar o Conselho, podendo também revogar a sua participação, salvo oposição de uma maioria qualificada de dois terços dos Estados-membros. Está ainda previsto que Trump possa manter a presidência mesmo após o fim do seu mandato na Casa Branca.
O Conselho Executivo será composto por sete membros próximos do presidente norte-americano, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o genro Jared Kushner e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.
Cada país membro terá, em regra, um mandato máximo de três anos, renovável. No entanto, essa limitação não se aplica aos Estados que contribuam com mais de mil milhões de dólares no primeiro ano após a entrada em vigor da carta, garantindo-lhes uma presença prolongada no organismo.
Vários líderes mundiais já aceitaram o convite, entre eles os presidentes do Egito, Israel, Emirados Árabes Unidos, Argentina e Azerbaijão, bem como os primeiros-ministros da Hungria e da Arménia. Marrocos e Bahrein também confirmaram adesão.
Outros países recusaram ou demonstraram reservas. A França afastou-se da iniciativa numa fase inicial, decisão que motivou ameaças de retaliação comercial por parte de Trump. A Ucrânia rejeitou participar enquanto a Rússia constar da lista de membros, e a Noruega confirmou que não integrará o Conselho.
O Reino Unido, Alemanha, Canadá, China e a Comissão Europeia optaram por analisar a proposta com cautela, levantando preocupações quanto ao envolvimento da Rússia e ao afastamento do modelo das Nações Unidas. Pequim reafirmou mesmo o seu apoio ao sistema internacional com a ONU no centro.
A entrada em vigor do Conselho de Paz está prevista assim que pelo menos três Estados assinarem a carta fundadora, abrindo caminho a um novo e controverso modelo de governação internacional impulsionado pela administração norte-americana.
Fonte:JN / Foto:IA