A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, vai reunir-se com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a Casa Branca, sem avançar uma data para o encontro. A concretizar-se, esta visita marcará a primeira deslocação oficial de uma líder venezuelana a Washington em mais de 25 anos, excluindo participações em encontros das Nações Unidas.
Segundo a agência France-Presse, o convite reflete a estratégia pragmática que Trump tem vindo a assumir em relação à Venezuela, admitindo publicamente estar a “trabalhar” com Rodríguez e demonstrando interesse nos recursos petrolíferos do país sul-americano. Ainda assim, o Presidente norte-americano mantém outras opções em aberto, tendo manifestado a intenção de envolver também a líder da oposição venezuelana e Nobel da Paz, Maria Corina Machado, na governação.
As relações diplomáticas entre os dois países deterioraram-se após a chegada de Hugo Chávez ao poder, no final da década de 1990, sendo que a última reunião oficial entre um chefe de Estado venezuelano e um Presidente dos EUA ocorreu ainda nos anos 90, entre Carlos Andrés Pérez e George H. W. Bush.
Desde que assumiu funções, poucos dias após a detenção de Nicolás Maduro pelas autoridades norte-americanas, Delcy Rodríguez tem adotado uma postura conciliatória, aceitando várias exigências de Washington. Entre as medidas anunciadas estão a assinatura de acordos petrolíferos, a promessa de libertação de presos políticos, a retirada de figuras próximas de Maduro de cargos de poder e a intenção de promover reformas legislativas para atrair investimento estrangeiro.
Foram igualmente retomados os voos de deportação de migrantes dos Estados Unidos para a Venezuela. No plano interno, a presidente interina procedeu à nomeação de novos comandantes militares regionais e reforçou o controlo da guarda presidencial e da contraespionagem.
Apesar das concessões, o Governo venezuelano continua a exigir a libertação de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores, mantendo um discurso crítico em relação à atuação dos Estados Unidos. Entretanto, familiares de presos políticos denunciam a lentidão no processo de libertações, sublinhando que apenas uma parte reduzida dos detidos foi até agora libertada, apesar dos compromissos assumidos.