Europa trava pressão dos EUA sobre a Gronelândia
Primeiro-ministro sueco diz que união europeia forçou Washington a recuar e a negociar no âmbito da NATO
Publicado em 22/01/2026 14:21 • Atualizado 22/01/2026 14:21
International

O primeiro-ministro da Suécia afirmou esta quinta-feira que a posição conjunta da Europa foi determinante para travar uma eventual intervenção militar dos Estados Unidos na Gronelândia e para afastar a ameaça de novas taxas aduaneiras a países com presença militar na ilha.

Em conferência de imprensa, em Estocolmo, Ulf Kristersson considerou que a pressão europeia levou Washington a abandonar a retórica de anexação e a optar por uma solução negociada no seio da NATO, envolvendo a Dinamarca, de quem a Gronelândia é território autónomo.

Segundo o chefe do Governo sueco, a unidade europeia obrigou os Estados Unidos a “dar um passo atrás” e a centrar o diálogo no reforço da presença militar, sublinhando que qualquer negociação deve ocorrer “sob as condições dinamarquesas”.

Kristersson defendeu ainda que o tom do Presidente norte-americano, Donald Trump, foi suavizado graças ao “apoio claro” manifestado pela Europa à Dinamarca e à Gronelândia, embora tenha lamentado a continuação de críticas por parte de Washington às autoridades dinamarquesas. A Suécia, acrescentou, está disponível para contribuir para o reforço da segurança da NATO no Ártico.

Na quarta-feira, Donald Trump anunciou ter alcançado um acordo com a NATO sobre a Gronelândia, que classificou como “muito positivo”, após conversações com o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, à margem do Fórum Económico de Davos. O Presidente dos EUA garantiu que se trata de um entendimento de longo prazo em matéria de segurança e que o texto final será divulgado em breve.

Na sequência dessas conversações, Trump recuou também na ameaça de impor tarifas adicionais a oito países com tropas destacadas na Gronelândia, entre os quais a Suécia, Dinamarca, França, Alemanha, Países Baixos, Finlândia, Noruega e Reino Unido.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, assegurou entretanto que o acordo em preparação não coloca em causa a soberania da Dinamarca sobre a Gronelândia. Segundo a líder do Governo de Copenhaga, a integridade territorial não esteve em negociação, reiterando que apenas a Dinamarca e a Gronelândia podem decidir sobre questões que lhes dizem respeito.

Além do seu valor estratégico no Ártico, a Gronelândia é considerada uma região rica em recursos naturais, como hidrocarbonetos e terras raras, o que tem alimentado o interesse internacional. Donald Trump tem justificado a sua posição com a necessidade de impedir a influência da Rússia e da China na região, uma intenção rejeitada por Moscovo e Pequim.

Foto: © European Union / European Parliament via Wikimedia

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