Portugal impõe condição para integrar "Conselho de Paz" de Trump: foco exclusivo em Israel e Palestina
Publicado em 27/01/2026 15:14
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O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que Portugal só aceitará o convite para o novo organismo se este se restringir à crise em Gaza, rejeitando uma alternativa às Nações Unidas.

O Governo português clarificou, esta terça-feira, a sua posição em relação ao convite endereçado pela administração norte-americana para integrar o recém-criado Conselho de Paz (Board of Peace). Em declarações proferidas na Fundação Calouste Gulbenkian, o Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Paulo Rangel, foi taxativo: Portugal só adere se o mandato do órgão for estritamente limitado ao conflito israelo-palestiniano.

A questão do mandato e da ONU

A iniciativa, impulsionada pelo Presidente Donald Trump no início de 2026, tem gerado debate na comunidade internacional, não só pelo seu custo de adesão — fixado em mil milhões de dólares para membros permanentes — mas também pelo receio de que este Conselho possa tentar substituir o papel mediador das Nações Unidas.

Para o chefe da diplomacia portuguesa, a utilidade deste novo organismo depende da sua especialização. "Se o Conselho de Paz se cingir ao conflito em Gaza e à questão israelo-palestiniana, Portugal vê espaço para colaboração", explicou Rangel. No entanto, o governante sublinhou que Lisboa não apoiará uma estrutura que pretenda atuar de forma global e concorrente à ONU, reafirmando o compromisso histórico do país com o multilateralismo.

Alinhamento Internacional

Esta postura de "prudência colaborativa" coloca Portugal numa posição semelhante à de outras nações, como o Brasil, que também demonstraram reticências quanto à abrangência e ao financiamento do projeto de Washington.

Recorde-se que Portugal reconheceu formalmente o Estado da Palestina em setembro de 2025, uma decisão que molda a atual exigência do MNE: qualquer solução de paz deve respeitar a autodeterminação dos povos e os marcos diplomáticos já estabelecidos pela comunidade internacional.

Próximos Passos

A decisão final sobre a participação portuguesa dependerá agora da resposta de Washington quanto à flexibilidade das competências do Conselho. Até ao momento, o Ministério das Finanças não se pronunciou sobre o viabilização do elevado montante exigido para a entrada no organismo.

Fonte - Agência Lusa

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