Comboios elétricos na Linha do Oeste só deverão circular a partir de 2028
Publicado em 27/01/2026 19:15 • Atualizado 27/01/2026 19:18
Transportes
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A Infraestruturas de Portugal (IP) prevê que a circulação de comboios com tração elétrica em toda a Linha do Oeste apenas seja uma realidade em 2028, ano apontado também para a conclusão das obras de modernização, iniciadas em 2020 e marcadas por vários atrasos.

Em resposta à agência Lusa, a IP explicou que, no troço entre Mira Sintra-Meleças e Torres Vedras, estão atualmente a decorrer trabalhos de regulação e energização da catenária, intervenções nos sistemas de drenagem, colocação de vedações, execução de caminhos de cabos e obras de melhoria em estações e apeadeiros, além da construção de muros de contenção.

No troço Torres Vedras–Caldas da Rainha, prosseguem igualmente trabalhos relacionados com caminhos de cabos, beneficiação dos edifícios das estações, instalação de vedações e intervenções na catenária.

Paralelamente, decorre a construção da futura Subestação de Runa, no concelho de Torres Vedras, com trabalhos de terraplanagem, estruturas de contenção, edificado e instalação de equipamentos elétricos. A conclusão desta infraestrutura está prevista para o final de 2027, sendo apenas a partir dessa data possível garantir tração elétrica em toda a extensão da linha entre Meleças e Caldas da Rainha.

Ainda assim, a IP admite que, durante 2026, possa iniciar-se a operação em tração elétrica no troço Meleças–Malveira, recorrendo temporariamente à subestação da Amadora. As empreitadas de sinalização eletrónica e do sistema de controlo automático de velocidade estão também em curso, com entrada ao serviço estimada para 2027.

Quanto ao troço Caldas da Rainha–Louriçal, no distrito de Leiria, a modernização encontra-se ainda em fase de projeto e dependente do processo de avaliação de impacto ambiental. Só após a emissão da Declaração de Impacto Ambiental será lançado o concurso público internacional para a obra.

Relativamente à ligação mais rápida de Sintra a Lisboa, através do desvio da Linha do Oeste a partir de Mafra, previsto no Plano Ferroviário Nacional, a IP refere que está a realizar uma análise preliminar das várias alternativas.

A Comissão para a Defesa da Linha do Oeste tem vindo a alertar para os sucessivos atrasos na obra e para a necessidade de avançar com a modernização do troço Caldas da Rainha–Louriçal, além de exigir um plano de contingência face à supressão de comboios, motivada pela falta de material circulante e pelas obras em curso.

O projeto de modernização da Linha do Oeste está dividido em duas empreitadas principais: a eletrificação e modernização do troço Mira Sintra-Meleças–Torres Vedras, com um investimento de 61,7 milhões de euros, e a intervenção entre Torres Vedras e Caldas da Rainha, orçada em 40 milhões. O investimento global ascende a cerca de 160 milhões de euros, incluindo custos com expropriações.

Foto:CP

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