ONU defende diálogo com o Irão para evitar crise com impacto devastador na região
Publicado em 29/01/2026 21:16 • Atualizado 29/01/2026 21:30
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O secretário-geral das Nações Unidas apelou esta quinta-feira à abertura de um diálogo com o Irão, em particular sobre o programa nuclear, com o objetivo de evitar uma escalada de tensão que possa ter “consequências devastadoras para a região”.

António Guterres falava numa conferência de imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque, onde condenou de forma firme a repressão exercida pelas autoridades iranianas sobre os protestos registados no país. O líder das Nações Unidas afirmou que a organização acompanha a situação “com grande preocupação” e sublinhou a importância de negociações que permitam alcançar um entendimento, sobretudo no dossiê nuclear.

As declarações surgem num contexto de crescente tensão internacional, depois de o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Reza Aref, ter alertado que o país deve preparar-se para um cenário de guerra, face às ameaças dos Estados Unidos de recorrerem à força militar contra a República Islâmica. Segundo Aref, o Irão não inicia conflitos, mas responderá com firmeza caso seja atacado.

O presidente norte-americano, Donald Trump, tem vindo a intensificar o discurso contra Teerão, ameaçando usar meios militares na sequência da repressão dos protestos e exigindo negociações sobre o programa nuclear iraniano. Recorde-se que instalações nucleares do Irão foram bombardeadas em junho por forças norte-americanas e israelitas.

Em reação, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, manifestou abertura ao diálogo, desde que este decorra sem pressões ou ameaças, advertindo, no entanto, que as forças armadas do país permanecem em alerta máximo.

A tensão foi acompanhada pelo reforço da presença militar dos Estados Unidos na região do Golfo, com o envio de uma força naval que inclui o porta-aviões Abraham Lincoln.

Entretanto, as autoridades iranianas anunciaram que mais de três mil pessoas morreram nos protestos registados ao longo de janeiro, números contestados por organizações de defesa dos direitos humanos, que apontam para um balanço significativamente superior, além de dezenas de milhares de detenções.

Os protestos, iniciados no final de dezembro devido ao aumento do custo de vida e à desvalorização da moeda, perderam intensidade nas últimas semanas, mas continuam a surgir relatos de detenções e de confissões forçadas transmitidas pela televisão estatal.

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou no Senado que o Irão se encontra “mais fraco do que nunca”, com a economia em colapso e um regime que revela dificuldades em responder às exigências da população.

Fonte:JN

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