PARIS — A tecnológica francesa Capgemini anunciou que vai colocar à venda a sua filial americana, Capgemini Government Solutions, depois da polémica gerada pela revelação de um contrato com o Serviço de Imigração e Alfândegas dos Estados Unidos (ICE). A empresa prestava serviços de identificação e rastreamento de pessoas estrangeiras, levantando críticas políticas e sindicais.
Em comunicado, a Capgemini explicou que a filial representa apenas 0,4% da receita total do grupo prevista para 2025 e menos de 2% nos Estados Unidos, sublinhando que o processo de venda será iniciado de imediato. O grupo citou também restrições legais que limitam o seu controlo sobre contratos classificados com entidades federais norte-americanas.
O CEO da Capgemini, Aiman Ezzat, afirmou que só tomou conhecimento do contrato através de fontes públicas, já que a filial atua de forma autónoma sob a legislação americana. O contrato, assinado a 18 de dezembro, tinha um valor inicial de 4,8 milhões de dólares, podendo chegar a 365 milhões dependendo do desempenho.
O anúncio surge numa altura em que dirigentes sindicais e políticos franceses pressionavam o grupo sobre a sua responsabilidade em negócios com a ICE. Para a CFDT, sindicato representado por Frédéric Bolloré, a crise é inédita nos 32 anos de experiência do dirigente na Capgemini, causando grande impacto nos funcionários.
As ações do ICE nos EUA têm gerado protestos massivos, e incidentes recentes, como a morte a tiro de dois manifestantes, provocaram indignação internacional.
Fonte: Jornal de Notícias / Foto:snorski/Flickr