Cientistas identificaram um objeto astronómico inédito, apelidado de Cloud-9, que pode ajudar a compreender a matéria escura, um dos maiores enigmas do Universo.
A matéria escura é uma substância invisível que constitui cerca de 85% da matéria do cosmos, influenciando a formação e estrutura das galáxias, mas que nunca foi observada diretamente. A Cloud-9 poderá ser uma nuvem primordial deste tipo de matéria, formada nos primórdios do Universo e sem estrelas próprias.
Observações do Telescópio Espacial Hubble, combinadas com dados de outros telescópios como o FAST, Green Bank e Very Large Array, mostraram que a Cloud-9 é uma nuvem compacta e esférica de hidrogénio neutro, com cerca de 4.900 anos-luz de diâmetro. A massa do hidrogénio é insuficiente para manter a nuvem unida, o que sugere que está rodeada por um halo de matéria escura que atua como suporte gravitacional invisível.
Para os investigadores, a Cloud-9 representa uma espécie de “galáxia falhada”. “Não ver estrelas confirma que estamos a observar um bloco de construção primordial de uma galáxia que nunca se formou”, explica Alejandro Benitez-Llambay, coautor do estudo. Futuras observações poderão determinar se a nuvem acumulará mais massa e se transformará numa galáxia ou se acabará por desaparecer.
Apesar do entusiasmo, alguns especialistas pedem cautela. Jacco van Loon, da Universidade de Keele, lembra que nuvens semelhantes podem ser galáxias extremamente ténues e que provas adicionais são necessárias para confirmar a presença de matéria escura.
A Cloud-9, localizada a cerca de 16 milhões de anos-luz da Terra, perto da galáxia Messier 94, abre uma nova janela para estudar a matéria escura e a evolução das galáxias, sendo um exemplo promissor de como objetos aparentemente “falhados” podem revelar segredos fundamentais do cosmos.