Google e Meta contestaram em tribunal nos Estados Unidos as acusações de que as suas plataformas viciam jovens, durante o segundo dia de um julgamento histórico que decorre em Los Angeles, na Califórnia.
No centro do processo está uma jovem de 20 anos, identificada apenas pelas iniciais “KGM”, cujo caso poderá influenciar a forma como milhares de processos semelhantes serão tratados. O advogado Mark Lanier, que representa a autora da queixa, comparou as redes sociais a casinos e drogas viciantes, afirmando que Meta (proprietária do Instagram) e Google (que controla o YouTube) terão desenhado funcionalidades que “viciam o cérebro das crianças”.
Outras duas empresas, TikTok e Snap (Snapchat), optaram por acordos fora de tribunal, segundo a agência Associated Press.
Durante a audiência, os advogados das empresas reforçaram que não há consenso científico sobre o vício em redes sociais. Paul Schmidt, representante da Meta, e Luis Li, advogado do YouTube, argumentaram que o tempo médio de utilização da jovem KGM é limitado: cerca de 29 minutos por dia, sendo que apenas 1 minuto e 14 segundos eram passados a ver vídeos curtos na funcionalidade de “rolagem infinita” questionada no julgamento. Luis Li acrescentou que estas funcionalidades podem ser desativadas ou ajustadas pelos utilizadores.
Lanier, em contraponto, afirmou que o caso é simples: Meta e Google, “duas das corporações mais ricas da história”, teriam criado mecanismos para viciar crianças no uso das suas plataformas. A jovem KGM apareceu brevemente durante a primeira sessão e deverá depor mais detalhadamente ao longo do julgamento.
O caso ocorre num momento em que outros países estão a limitar o acesso de menores às redes sociais. Na Austrália, cerca de 4,7 milhões de contas de crianças foram encerradas desde que o país proibiu o uso das plataformas por menores de 16 anos.
Fonte: CNN Portugal / Foto:Direitos Reservados