A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apelou este sábado para a reativação da cláusula de defesa mútua da União Europeia, destacando que a proteção coletiva não deve ser opcional, mas sim um compromisso firme entre os Estados-membros em caso de agressão.
Em discurso na 62.ª Conferência de Segurança de Munique, que reúne líderes mundiais e ministros das Relações Exteriores e Defesa, Von der Leyen sublinhou a importância de uma Europa mais independente e capaz de tomar decisões rápidas, sem depender exclusivamente da unanimidade para agir.
A política alemã, que já foi ministra da Defesa, defendeu que a UE deve desenvolver novas parcerias em segurança com países como Reino Unido, Noruega, Islândia e Canadá, e integrar setores civis e industriais — como a indústria automóvel e aeroespacial — na cadeia de valor da defesa.
Von der Leyen reforçou que a Europa precisa de uma nova doutrina de segurança, capaz de proteger o território, a economia, a democracia e o modo de vida europeu, incluindo capacidades estratégicas no espaço, inteligência e armamento de longo alcance.
A reativação da cláusula, prevista no artigo 42.º, n.º 7 do Tratado de Lisboa, prevê que os Estados-membros se apoiem mutuamente, militar ou diplomaticamente, se um deles sofrer agressão. A líder europeia destacou que este compromisso só será efetivo se houver confiança, rapidez e capacidade de ação dentro do bloco.
Por fim, Von der Leyen afirmou que a Europa deve assumir a responsabilidade pela sua própria defesa, reduzindo a dependência histórica dos Estados Unidos e garantindo um pilar europeu credível até 2030, especialmente diante das tensões com a Rússia e das incertezas na NATO.
Fonte:JN / Foto:ContactoPhoto