Um jovem de 23 anos foi acusado de tentativa de espionagem após tentar vender informações roubadas de equipamentos informáticos de um militar da NATO à embaixada da Rússia em Lisboa, revelou esta quarta-feira a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O caso remonta ao ano passado, durante a Conferência Inicial de Planeamento, realizada na Escola da Base Naval de Lisboa, no Alfeite, Almada, um evento dedicado à experimentação robótica de sistemas não tripulados, que contou com cerca de 300 participantes, maioritariamente militares.
Sabendo do evento, o arguido, que “fazia da prática de furtos modo de vida”, hospedou-se no mesmo hotel que os militares da NATO presentes na conferência. No local, apoderou-se de um computador e de um iPad pertencentes à NATO e à Marinha sueca, tentando aceder aos conteúdos confidenciais para posteriormente vendê-los à Rússia.
O jovem dirigiu-se à embaixada russa em Lisboa, mas a negociação não teve sucesso. Durante a investigação, chegou a alegar a existência de uma organização criminosa de espionagem que incluía outras onze pessoas, incluindo um inspetor da Polícia Judiciária, mas segundo a PGR, essa versão não correspondia à realidade e visava desviar a investigação.
Além da tentativa de espionagem, o arguido foi acusado de:
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Três crimes de furto qualificado;
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Dois crimes de uso indevido de documento de identificação ou viagem alheia;
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Um crime de falsas declarações;
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Um crime de pornografia de menores;
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Dois crimes de condução sem carta;
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Onze crimes de denúncia caluniosa.
O jovem está atualmente em prisão preventiva, sujeito a proibição de contactos, e o processo envolve ainda outros dois arguidos, acusados de furto qualificado, sujeitos a termo de identidade e residência.
Fonte: CNN Portugal / Foto:IA