Portugal está a enfrentar uma combinação explosiva de fraco poder de compra e fortes aumentos no mercado imobiliário, segundo os mais recentes dados divulgados pela Pordata com base em estatísticas europeias.
Apesar de o custo de vida em Portugal estar abaixo da média da União Europeia, o rendimento disponível dos portugueses coloca-os entre os que menos conseguem comprar bens essenciais na UE, situando-se como o sexto país com pior poder de compra entre os 27 Estados-membros.
Ao mesmo tempo, o país está entre os que registaram maiores subidas nos preços da habitação desde 2020, com um aumento de cerca de 24,1%, o segundo mais alto na União Europeia depois da Grécia.
Este cenário de salários que não acompanham a inflação imobiliária tem colocado uma enorme pressão sobre as famílias: em muitas áreas urbanas os custos com casa absorvem grande parte dos rendimentos e comprar habitação tornou-se praticamente inalcançável para grande parte da população.
A situação coloca Portugal num lugar desconfortável no contexto europeu — com baixo poder de compra e habitação a ficar cada vez mais cara — pressionando debates políticos sobre políticas sociais, habitação e rendimentos nos próximos meses.
Fonte:Lusa / Foto:Manuel de Almeida