“Não será pelas melhores razões”: Passos Coelho admite possível regresso
Antigo primeiro-ministro diz que nunca fechou a porta ao regresso, mas garante que não prepara qualquer candidatura e considera cenário pouco provável.
Publicado em 01/03/2026 10:59 • Atualizado 01/03/2026 10:59
Nacional
Pedro Passos Coelho

O antigo primeiro-ministro e ex-líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou este sábado, em Lisboa, que nunca excluiu totalmente um regresso à vida política ativa, embora considere essa hipótese pouco provável e dependente de circunstâncias excecionais.

Intervindo na conferência que assinalou o quinto aniversário do Instituto “+Liberdade”, no Museu do Oriente, o social-democrata recordou que, quando deixou a liderança do partido em 2017, nunca declarou que abandonaria definitivamente a política. “Nunca me achei um inútil para a política”, afirmou, rejeitando compromissos absolutos sobre o futuro.

Ainda assim, Passos Coelho sublinhou que não antevê um regresso em moldes idênticos aos que protagonizou entre 2011 e 2015, período em que liderou o Governo. E deixou um aviso: se algum dia voltar, “não será pelas melhores razões”, sugerindo que tal cenário apenas se colocaria perante dificuldades significativas no país ou no partido.

Questionando a necessidade de um eventual regresso, o antigo governante observou que, caso o país e o PSD estejam satisfeitos com o rumo seguido, não faria sentido “ir ao baú da história” buscar antigas lideranças.

Passos garantiu ainda que não está a preparar qualquer candidatura e que nem sequer tem acompanhado o calendário eleitoral interno do partido. “Não é uma questão com que esteja a ocupar o meu pensamento”, assegurou.

Sobre a sua saída da liderança do PSD, explicou que a decisão foi influenciada pela solução governativa então encontrada pelo PS com o apoio parlamentar do PCP, BE e PEV — a chamada “geringonça”. Considerou que a sua permanência poderia funcionar como elemento agregador das forças à esquerda e entendeu que deveria permitir que essa solução governativa enfrentasse o seu próprio desgaste político.

Além disso, reconheceu que se tinha tornado um fator limitador do crescimento do partido, sobretudo devido à constante associação ao período da troika. Ao afastar-se, disse, procurou dar ao PSD a oportunidade de se libertar desse ciclo político — algo que entende ter sido conseguido.

Apesar das declarações, o antigo líder social-democrata mantém-se afastado da política ativa, deixando em aberto apenas uma possibilidade remota, dependente de circunstâncias futuras.

Fonte e Foto:Lusa

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