O primeiro‑ministro português, Luís Montenegro, anunciou esta quarta‑feira que Portugal disponibilizará 10% das suas reservas estratégicas de petróleo, equivalente a cerca de 2 milhões de barris, como contribuição para uma libertação coordenada com parceiros internacionais, com o objetivo de aumentar a oferta e ajudar a conter os preços dos combustíveis no mercado doméstico e europeu.
A medida portuguesa insere‑se na iniciativa liderada pelos 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE), que decidiram libertar 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas para mitigar a perturbação na oferta provocada pelo conflito no Médio Oriente, nomeadamente devido ao bloqueio do estreito de Ormuz e instabilidade nos mercados energéticos.
Montenegro anunciou a decisão após as jornadas parlamentares do PSD em Caminha (Viana do Castelo), explicando que o Governo está alinhado com a estratégia coordenada entre a UE e outros parceiros internacionais para responder ao impacto da guerra no preço e na oferta de combustíveis.
O primeiro‑ministro sublinhou que a ação portuguesa pretende reforçar a estabilidade dos mercados, aliviar a pressão sobre os preços que famílias e empresas enfrentam e complementar outras medidas de política energética e fiscal que o Governo tem vindo a avaliar, incluindo mecanismos de desconto no imposto sobre os combustíveis.
Portugal está legalmente obrigado a manter reservas estratégicas equivalentes a pelo menos 90 dias de consumo, geridas pela Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), e a libertação de 10% deve ser feita de forma a garantir que a segurança energética interna não seja comprometida.
A decisão surge num momento em que os preços do petróleo — como o barril de Brent — registaram aumentos acentuados no mercado internacional devido à prolongada instabilidade no Médio Oriente.
Fonte e Foto: Antonio Cotrim