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Portugal e parceiros lusófonos procuram "com recato" regresso à democracia na Guiné-Bissau
Ministro dos Negócios Estrangeiros destaca diálogo discreto com Angola e Brasil após golpe militar de novembro
Publicado em 20/03/2026 17:54 • Atualizado 20/03/2026 18:07
International
Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel

Portugal tem mantido conversações “com algum recato” com parceiros lusófonos, em especial Angola e Brasil, no sentido de apoiar o regresso da Guiné-Bissau à democracia, afirmou esta sexta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Em declarações durante uma conferência em Paris, o governante sublinhou que o diálogo diplomático tem sido discreto, evitando exacerbar tensões no país africano. O objetivo principal é criar condições que permitam a retomada das instituições democráticas e garantir que futuros processos eleitorais se realizem de forma regular e transparente.

O golpe militar que derrubou o governo da Guiné-Bissau em novembro de 2025 gerou uma crise política profunda, com a suspensão de algumas instituições e a instabilidade a aumentar a incerteza sobre o futuro democrático do país. Portugal, como país-membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), tem procurado coordenar esforços com outros Estados lusófonos para pressionar por uma transição pacífica, mantendo ao mesmo tempo canais de diálogo com as autoridades locais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros frisou que a ação diplomática tem de ser conduzida com prudência: “Estamos a falar com algum recato com parceiros como Angola e Brasil, para não comprometer a estabilidade nem colocar em risco os esforços de reconciliação”, afirmou. Segundo ele, o objetivo é apoiar uma solução consensual, garantindo que o regresso da democracia não seja apenas formal, mas sustentado em instituições fortes e funcionais.

Além de Angola e Brasil, Portugal mantém contactos com outros membros da CPLP e organizações internacionais, procurando alinhar estratégias de mediação e monitorização, de modo a evitar novos confrontos ou retrocessos políticos. O governo português destaca ainda que o acompanhamento da situação guineense será contínuo, com ênfase em medidas que promovam a estabilidade e a participação democrática de todos os setores da sociedade.

Fonte:Lusa / Foto:António Cotrim

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