O Governo do Chile anunciou esta terça‑feira um aumento histórico nos preços dos combustíveis, numa resposta direta à escalada dos preços do petróleo no mercado internacional provocada pela guerra no Golfo Pérsico. A medida é considerada uma das mais significativas nos últimos anos para o país e entra em vigor já esta semana.
Segundo o executivo chileno, os aumentos — que para a gasolina podem chegar a cerca de 370 pesos por litro e para o diésel a 580 pesos por litro — refletem a necessidade de ajustar o mercado doméstico à nova realidade do custo do petróleo, que tem sido influenciado pela instabilidade na região do Médio Oriente. O Chile importa a maior parte dos seus combustíveis, o que o torna particularmente vulnerável às flutuações dos preços internacionais.
O ministro das Finanças do Chile explicou que o mecanismo que até agora ajudava a suavizar os aumentos de preço, conhecido como Mecanismo de Estabilização do Preço dos Combustíveis (MEPCO), já não é financeiramente sustentável face à atual pressão sobre os mercados energéticos.
Para mitigar o impacto sobre os cidadãos e empresas, o Governo apresentou um pacote de medidas que inclui a proposta de uma lei para congelar tarifas de transporte público, como autocarros e metro, até ao final do ano, e um subsídio mensal temporário para taxistas e outros motoristas profissionais.
A decisão tem sido motivo de debate público no Chile, com críticas de alguns setores do transporte e economistas que consideram insuficientes as compensações propostas, dada a dimensão do aumento dos preços dos combustíveis e as pressões inflacionárias associadas.
Especialistas sublinham que a atual crise de preços dos combustíveis está diretamente ligada à tensão geopolítica no Médio Oriente, que tem provocado aumentos prolongados no preço do petróleo Brent — referência global — e pressionado mercados energéticos em várias partes do mundo.
Fonte:Lusa / Foto:Direitos Reservados