Genebra, 25 mai 2026 (Lusa) — A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o número de casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo já ultrapassa os 900, incluindo 101 infeções confirmadas em laboratório.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o surto na província de Ituri, no leste do país, está a ser fortemente condicionado pela instabilidade e pela violência armada, o que dificulta o trabalho das equipas de saúde.
O responsável sublinha que a insegurança está a provocar a fuga de profissionais de saúde e de população, dificultando o rastreio de contactos e o controlo da transmissão.
De acordo com o Governo congolês, já foram registadas 204 mortes prováveis associadas ao surto, declarado oficialmente a 15 de maio.
A OMS e outras entidades internacionais alertam ainda que vários países da região, incluindo a Angola, estão em risco de propagação do vírus.
A situação é agravada pela presença de múltiplos grupos armados na região, incluindo o Movimento 23 de Março (M23), o que limita o acesso das autoridades sanitárias a várias zonas.
A doença, que provoca febre hemorrágica grave e elevada taxa de mortalidade, transmite-se através do contacto com fluidos corporais infetados e já causou dezenas de milhares de mortes em África nas últimas décadas.
A OMS refere ainda que a estirpe associada ao surto atual não dispõe de vacina amplamente disponível, pelo que o controlo depende sobretudo da deteção rápida e de medidas de prevenção sanitária.