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Sobe para 648 mortos e para 1.830 casos confirmados de Ébola na RDCongo
Província de Kivu do Sul atinge marco histórico sem novas infeções, enquanto surto da agressiva estirpe de Bundibugyo se fixa como o terceiro mais letal de sempre.
Por Redação
Publicado em 11/07/2026 10:45
International
@Lusa

Kinshasa, 11 jul 2026 (Lusa) — As autoridades de saúde da República Democrática do Congo (RDCongo) atualizaram este sábado o impacto do devastador surto de Ébola que atinge a zona oriental do país, reportando um total de 648 óbitos e 1.830 contágios validados em laboratório.

Os dados mais recentes do executivo congolês traduzem um agravamento face ao relatório de quinta-feira, somando-se mais 23 vítimas mortais e 38 novos doentes. O índice de mortalidade da epidemia fixa-se agora nos 35,4%. O boletim indica ainda que 780 pessoas se encontram sob vigilância médica e internadas em unidades de isolamento, ao passo que 285 pacientes superaram com sucesso a infeção. O rastreamento de contactos diretos de risco abrange já 78,1% dos casos suspeitos.

A crise sanitária está geograficamente concentrada nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri, esta última o foco inicial e principal da transmissão. Apesar do cenário severo, há um sinal de esperança no sul: "O Kivu do Sul ultrapassou agora o limiar de 42 dias sem um novo caso confirmado, um passo importante para a declaração oficial do fim da epidemia na província", revelou a nota governamental. De acordo com as diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma região só é considerada livre do vírus após cumprir este período sem registos, o que equivale a duas vezes o tempo de incubação da doença.

Detetada inicialmente a 15 de maio em Ituri — território que confina com o Sudão do Sul e o Uganda —, a infeção acabou por cruzar a fronteira ugandesa, onde já se identificaram 20 contágios (15 deles com origem na RDCongo) e duas mortes.

Os peritos da OMS alertam que este surto pertence à perigosa estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de letalidade pode atingir os 50% e para a qual ainda não existem vacinas aprovadas ou tratamentos médicos com eficácia dirigida. A organização, que elevou esta crise a "emergência de saúde pública de importância internacional" a 17 de maio por estimar que o vírus estaria ativo dois meses antes de ser detetado, avalia o risco regional na África Subsariana como elevado, embora o perigo mundial permaneça baixo.

Esta é já a 17.ª vez que o Ébola atinge a RDCongo, posicionando-se como a terceira pior epidemia global desde que há registo da doença. O atual surto é apenas superado pela crise da África Ocidental (2014-2016), que tirou a vida a 11 mil pessoas, e pela vaga ocorrida no próprio território congolês entre 2018 e 2020, que resultou em 2.299 mortos. O vírus, recorde-se, propaga-se através do contacto direto com fluidos biológicos de portadores (humanos ou animais) e manifesta-se através de quadros agudos de febre hemorrágica, vómitos, diarreias severas e perdas de sangue internas.

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