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Trump diz que conversações com Irão vão continuar, mas insiste que cessar-fogo acabou
Mensagem nas redes sociais abre a porta à via diplomática, horas depois de caças dos EUA bombardearem 90 alvos em território iraniano durante o luto nacional.
Por Redação
Publicado em 10/07/2026 22:12
International
@Lusa

Washington, 10 jul 2026 (Lusa) — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou esta sexta-feira que deu luz verde para a manutenção dos contactos diplomáticos com o Irão. Apesar da abertura para o diálogo, o chefe de Estado norte-americano foi categórico ao decretar que a trégua militar em vigor desde a primavera "acabou definitivamente".

A posição foi partilhada pelo próprio Trump através da sua rede social, a Truth Social. "A República Islâmica do Irão pediu-nos para continuarmos as 'negociações'. Concordámos em fazê-lo, mas os Estados Unidos deixaram-lhes bem claro que o cessar-fogo ACABOU!", escreveu o governante, recorrendo ao uso de letras maiúsculas para sublinhar a rutura do pacto de não agressão.

Esta tomada de posição surge na sequência de uma perigosa escalada bélica no Médio Oriente. Nos últimos dias, Washington e Teerão envolveram-se em ataques cruzados, deitando por terra o memorando de entendimento assinado em junho que vinha a consolidar o cessar-fogo alcançado originalmente em abril. O tom de Trump já tinha subido de tom na quarta-feira, durante a cimeira da NATO, quando insultou abertamente as lideranças iranianas, apelidando-as de "violentas", "mentirosas" e "loucas", embora já nessa altura ressalvasse que a sua equipa de diplomatas manteria as linhas de comunicação ativas.

A rutura verbal materializou-se no terreno com uma pesada ofensiva aérea levada a cabo pelas forças norte-americanas, que bombardearam cerca de 90 infraestruturas militares em solo iraniano. Por seu lado, o governo de Teerão acusou a Casa Branca de visar deliberadamente alvos civis. Segundo as autoridades iranianas, os mísseis norte-americanos destruíram pontes e troços da linha ferroviária que liga a capital à cidade de Mashhad. O regime iraniano alega que o verdadeiro objetivo da destruição destas rotas foi sabotar e impedir a deslocação de milhares de cidadãos que pretendiam participar nas cerimónias fúnebres do antigo líder supremo, Ali Khamenei, que terminaram na quinta-feira na cidade mais sagrada do país.

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