Valladolid, Espanha, 11 jul 2026 (Lusa) — O líder do Partido Popular (PP), principal força da oposição em Espanha, lançou este sábado um aviso sério ao país, sublinhando que o território espanhol vai enfrentar semanas "muito exigentes" e de elevado risco devido às condições meteorológicas adversas, numa altura em que o sul do país tenta conter um incêndio devastador.
As próximas semanas vão exigir um esforço "muito complicado", tal como sucedeu no ano de 2025, anteviu Alberto Núñez Feijóo durante o discurso de abertura do XVI Congresso Nacional do PP, a decorrer em Valladolid. O responsável apelou a que os cidadãos redobrem os cuidados e mantenham a vigilância máxima, "nem no verão nem no outono", num evento partidário que pretendia discutir políticas para a juventude, mas que acabou atropelado pela tragédia humana e ambiental que atinge a região de Almeria.
"A desgraça volta a assolar a Andaluzia", lamentou Feijóo, aludindo às 12 vítimas mortais contabilizadas até ao momento e lembrando que a região autónoma já tinha sido severamente fustigada no início do ano por cheias e pelo grave acidente ferroviário de Adamuz. Perante o cenário, o líder do PP deixou uma exigência clara a todas as esferas da administração pública: coordenação absoluta, mobilização total de recursos e antecipação de necessidades extraordinárias. "Essa é a política que os cidadãos esperam, a política que une e que serve", vincou.
No terreno, o fogo que deflagrou na zona de Los Gallardos, em Almeria, já devorou cerca de 6.600 hectares de floresta. As chamas continuam fora de controlo e forçaram ao alargamento do perímetro de segurança devido à multiplicação de frentes muito ativas. Ainda assim, o conselheiro andaluz da Presidência, Saúde e Emergências, Antonio Sanz, revelou a partir do posto de comando que a quebra na intensidade do vento e a subida da humidade para os $50\%$ abriram uma "janela de oportunidade" para as equipas passarem à ofensiva direta contra as frentes de fogo.
Apesar de o balanço oficial se manter fixado em 12 mortos, as autoridades locais continuam em alerta máximo devido a duas dezenas de relatos de pessoas desaparecidas. Até ao momento, a Proteção Civil já retirou 1.448 residentes das suas casas, estando cerca de 160 alojados em estruturas temporárias de acolhimento. As operações de combate mobilizam cerca de 500 operacionais e uma dezena de meios aéreos.