O Papa Leão XIV chegou este sábado ao Mónaco, de helicóptero, naquela que é a sua primeira visita oficial a um país europeu. A deslocação, de curta duração — apenas nove horas —, assinala também um momento histórico, já que não havia registo de uma visita papal ao pequeno principado há quase cinco séculos.
À chegada, o Papa foi recebido pelo príncipe Alberto II e pela princesa Charlene, numa cerimónia marcada por honras oficiais, incluindo salvas e o toque dos sinos das igrejas locais. Esta visita insere-se na segunda viagem apostólica internacional do pontífice e é considerada inédita na era moderna, sendo raros os registos históricos de deslocações papais a este território.
Durante a estadia, o Papa cumpre um programa com quatro momentos principais: uma visita de cortesia ao príncipe e à família real no Palácio do Príncipe, um discurso às autoridades, um encontro com a comunidade católica na Catedral da Imaculada Conceição, uma reunião com jovens na Praça Sainte-Dévote e, por fim, a celebração de uma missa no Estádio Luís II.
No seu discurso, proferido em francês, o Papa deixou críticas às desigualdades sociais, alertando para as “estruturas injustas” que aprofundam a distância entre ricos e pobres. Sublinhou ainda que os bens e oportunidades devem servir o bem comum, defendendo uma maior redistribuição em prol da justiça social.
O pontífice destacou também o papel do Mónaco como um “micro-Estado privilegiado”, apelando à reflexão sobre o uso da riqueza ao serviço da solidariedade e da paz mundial, num contexto global marcado por conflitos e tensões.
Antes da intervenção papal, o príncipe Alberto II já havia sublinhado a importância da solidariedade, defendendo que mesmo pequenos Estados podem ter um papel relevante na construção de um mundo mais justo, desde que mantenham os seus valores e compromisso social.
Fonte:Lusa / Foto: Fábio Frustaci / Epa