Retrato da Segurança Rodoviária é alarmante: dois em cada três condutores envolvidos em desastres graves em 2024 apresentavam níveis de álcool considerados crime. Autoridades falam num problema "particularmente grave" no país.
Os números não enganam e desenham um cenário negro nas estradas portuguesas. Segundo um estudo da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), a condução sob o efeito do álcool deixou de ser um "episódio isolado" para se tornar uma constante nas tragédias rodoviárias: dois em cada três condutores envolvidos em acidentes com vítimas apresentavam taxas de alcoolemia criminais.
A ANSR alerta para o facto de este ser um problema "particularmente grave em Portugal". Mais do que uma simples infração, a maioria dos condutores fiscalizados após acidentes graves em 2024 apresentava uma Taxa de Álcool no Sangue (TAS) igual ou superior a 1,2 g/l. Este valor é o limite onde a lei deixa de aplicar apenas multas e passa a prever penas de prisão, sublinhando a gravidade do estado em que muitos portugueses assumem o volante.
O relatório da Segurança Rodoviária aponta para uma urgência na mudança de comportamentos. Portugal continua a registar indicadores de sinistralidade onde o álcool é o protagonista, afetando drasticamente a capacidade de reação e o julgamento dos condutores. Para as autoridades, o combate a este fenómeno é a prioridade máxima para reduzir o número de mortos e feridos graves, que continua a marcar o quotidiano das famílias portuguesas.
Fonte:Lusa / Foto:Rui Minderico